Ping-Pong

A expressão mais usada para falar deste jogo é facilmente percebida quando se vê um bom jogo: a sonoridade que lhe está associada é um constante alternar do som feito pela bola ao bater na raquete de um e de outro lado da mesa.
Se por um lado é certo que na vida devemos estar permanentemente alerta para dar e receber quando a ocasião nos bate à porta, por outro lado a vida não tem que se assemelhar à linearidade e monotonia de um jogo de ping-pong.
Isto tem dois entendimentos: pode haver ping sem pong e pong sem ping.
Por um lado deveremos ter a convicção necessária para dar sempre sem considerarmos se o outro irá retribuir ou se está sequer preparado para receber. Por outro lado deveremos ter a humildade suficiente para conseguirmos receber mesmo sem sabermos se conseguiremos devolver, ou mesmo sabendo que não somos capazes de retribuir.
Parece-me que a vida é mais como o básico "jogar ao meio". Estamos todos à volta, tanto podemos passar a bola sem a receber como receber sem a passar. E há sempre um ao meio que tenta interceptar a bola, e assim se vai trocando de posições.

1 Comments:
"(...) ter a convicção necessária para dar sempre sem considerarmos se o outro (...) está sequer preparado para receber."
Isto tem aqui um pormenor que se pode transformar num pormaior se o negligenciarmos.
Convicção sim mas cegueira não.
O que é que eu quero dizer? O dar só é válido e útil se dermos de forma gratuita, pelo bem, interessado mas desinteresseiro, do outro; e quando é interessado, só o outro é que conta.
Quando damos, lembramo-nos que o outro pode não estar preparado para receber ou estamos mais empenhados em dar porque,na melhor das nossas intensões, achamos que é o melhor para ele?
Se assim for, que proveito lhe trará a nossa dádiva?
Isto não é um apelo a não dar nestas condições, mas antes a dar com mais qualidade; é dar, não à nossa maneira, mas à maneira que o outro pode/sabe/está receptivo para receber. Isto não é tolerância, é mudar o epicentro da dádiva de nós mesmos para o outro. É "matar dois coelhos" com uma só cajadada":´engrandeço-me porque dou com qualidade, o outro engrandece-se porque se abre a receber.
Até há um ditado popular que se pode aplicar aqui: "Todo o burro como palha, é preciso é saber-lha dar." É claro que na maior parte das vezes isto apela à esperteza saloia de alguém (aquele que quer dar a palha) que engana outro (o burro). Mas não seria nada mau que nos começassemos a deixar interpelar por este ditado para uma maior sensibilidade sobre quem está à minha frente e criatividade nesta forma tão humana de nos relacionarmos uns com os outros.
(e o comment ficou maior que o post...)
Enviar um comentário
<< Home